Wish you were here.

Adiós, Deseo.

Sobre Eles.

“E o que é que ela vê nele? Nossos amigos se interrogam sobre nossas escolhas, e nós fazemos o mesmo em relação às escolhas deles. O que é, caramba, que aquele Fulano tem de especial? E qual será o encanto secreto da Beltrana?

Vou contar o que ela vê nele: ela vê tudo o que não conseguiu ver no próprio pai, ela vê uma serenidade rara e isso é mais importante do que o Porsche que ele não tem. Ela vê que ele se emociona com pequenos gestos e se revolta com injustiças, ela vê um sorriso torto lindo que estranhamente ninguém repara, ela vê que ele faz tudo para que ela fique contente, ela vê que ele erra, mas quando acerta, acerta em cheio, que ele parece um lorde numa mesa de restaurante mas é desajeitado pra se vestir, ela vê que ele não dá a mínima para comportamentos padrões, ela vê a euforia de um menino no corpo de um homem, ela vê o um coração do tamanho do mundo, ela o vê doce e malicioso, calmo e ciumento. Ela vê que ele é um sonhador incorrigível, ela o vê chorando, ela o vê nu, ela o vê no que ele tem de invisível para todos os outros. E por isso ela o ama, mesmo que ninguém entenda.

Agora vou contar o que ele vê nela: ele vê, sim, que o corpo dela não é nem de longe parecido com o da Daniella Cicarelli, mas vê que ela tem uma coxa roliça e uma boca que sorri mais para um lado do que para o outro, e vê que ela, do jeito que é, preenche todas as suas carências do passado, e vê que ela precisa dele e isso o faz sentir importante, e vê que ela até hoje não aprendeu a fazer um rabo-de-cavalo decente, mas faz um cafuné que deveria ser patenteado, e vê que ela boceja só de pensar na palavra bocejo e que faz parecer que é sempre primavera, de tanto que gosta de flores em casa, e ele vê que ela é tão insegura quanto ele e é humana como todos, vê que ela é livre e poderia estar com qualquer outra pessoa, mas é ao seu lado que está, e vê que ela se preocupa quando ele chega tarde e não se preocupa se ele não diz que a ama de 10 em 10 minutos, e por isso ele a ama mesmo que ninguém entenda.”

Martha Medeiros

maio 2, 2011 Publicado por | Uncategorized | Deixe um comentário

Nem tão tortas.

Quando ele sorri desarmado, limitado e impotente, para todas as minhas dúvidas, inconstâncias e chatices, eu sei que é daquele sorriso que minha alma precisa. Ele não faz muito pela minha angústia existencial, até por não saber. E consegue tudo de mim. Consegue até o que ninguém nunca conseguiu: me deixar leve.

Ai você se pergunta: Te faz se sentir leve como?! Pois então… Sabe rir mole de bobeira? Sabe dançar idiota de alegria? Sabe dormir gemendo de saudade? Sabe tomar banho sorrindo para a sua pele? Sabe cantar bem alto para o mundo entender? Sabe se achar bonita mesmo de pijama e olheiras? Sabe ter fome de mundo segundos depois de falar com ele? Sabe não aguentar? Sabe sobrevoar o frio, o cinza, os medos, os erros e tudo que pode dar errado? É ele me faz sentir tudo isso de um jeito “leve”.

Eu queria parar com tudo isso, ele é um cara que não pode acompanhar minha louca linha de raciocínio meio poeta, meio neurótica, meio madura. Mas ainda assim eu o desejo tanto. E ama-lo não é fácil, é quase o anti-amor. É muito quase como se ele nem existisse, porque só o homem perfeito mereceria tanto sentimento. E eu o anulo o tempo todo dizendo para mim, repetindo para mim, o quanto ele falha, o quanto ele fraqueja, o quanto ele se engana. E fazendo isso, eu só consigo ama-lo mais ainda.

E a gente vai por aí, se completando assim meio torto mesmo. E Deus escrevendo certo pelas nossas linhas que se não fossem tão tortas, não teriam se cruzado.

abril 28, 2011 Publicado por | Uncategorized | Deixe um comentário

O que a gente quer?

Complicado.

Eu faria uma lista de desejos bastante sucinta, mas não sei se qualquer pessoa conseguiria captar a complexidade item por item. Eu não teria muitas coisas pra pedir, nunca precisei de quantidade pra ser feliz.
Aliás, quantidade seria até mais fácil.

Tenho um sincero apego a tudo que me arrebata e esse tudo, no caso, é tão pouco.
Talvez eu pedisse pra minha vida ser sempre uma via de duas mãos; talvez eu quisesse dormir e acordar balbuceando reciprocidade, só pra variar um pouco. Talvez eu quisesse que fôssemos bons um para o outro e não somente o outro pro um. Acho que gostaria de perder mais tempo contigo, seria bom perder a noção dele também. Queria que você quisesse saber quem eu sou além da casca, por dentro, lá no fundo. E então eu te contaria que quis ser escritora, que o meu pai é a pessoa que mais amo no mundo e que várias vezes quis ouvir tua voz mas não liguei. E te diria que o meu peito ainda dói, mas que ele sabe amar. Queria que você não tivesse medo de me dizer quem é além do supérfluo e que parasse de fazer as coisas só porque quer me agradar.

Queria te ver perdendo o controle um pouco, queria que você se perdesse um pouco mais em mim.

Queria te ver não racionalizando.

Queria vincular teu nome a um pronome possessivo.

Queria que você quisesse, porque eu finalmente deixei alguém entrar.

abril 27, 2011 Publicado por | Uncategorized | Deixe um comentário

Dar não é fazer amor. (Tati e Luiz F V.)

Dar não é fazer amor.

Dar é dar.

Fazer amor é lindo, é sublime, é encantador, é esplêndido, mas dar é bom pra cacete.

Dar é aquela coisa que alguém te puxa os cabelos da nuca, te chama de nomes que eu não escreveria, não te vira com delicadeza, não sente vergonha de ritmos animais. Dar é bom. Melhor do que dar, só dar por dar. Dar sem querer casar, sem querer apresentar pra mãe, sem querer dar o primeiro abraço no Ano Novo. Dar porque o cara te esquenta a coluna vertebral, te amolece o gingado, te molha o instinto. Dar porque a vida de uma logísta em começo de carreira é estressante e dar relaxa. Dar porque se você não der para ele hoje, vai dar amanhã, ou depois de amanhã. Tem caras que você vai acabar dando, não tem jeito. Dar sem esperar ouvir promessas, sem esperar ouvir carinhos, sem esperar ouvir futuro. Dar é bom. Na hora. Durante um mês. Para as mais desavisadas, talvez por anos.

Mas dar é dar demais e ficar vazia.

Dar é não ganhar.

É não ganhar um “eu te amo” baixinho, perdido no meio do escuro. É não ganhar uma mão no ombro quando o caos da cidade parece querer te abduzir. É não ter alguém pra querer casar, para apresentar pra mãe, pra dar o primeiro abraço de Ano Novo e pra falar: “Que cê acha, amor?”. Dar é inevitável, dê mesmo, dê sempre, dê muito.

Mas dê mais ainda, muito mais do que qualquer coisa, uma chance ao amor, esse sim é o maior tesão. Esse sim relaxa, cura o mau humor, ameniza todas as crises e faz você flutuar o suficiente pra nem perceber as catarradas na rua.

abril 21, 2011 Publicado por | Uncategorized | Deixe um comentário

Descoberta.

Descobri o nosso problema. Você nunca me permitiu errar. E eu não passo mais de 24 horas sem fazer algo errado. Nem que seja digitar “pessoas” sem o “p”. O erro é tão parte de mim, que talvez eu seja o erro em um pacotinho de 1,5 de altura. E, talvez, eu seja teu erro.

Descobri mais umas coisas também. Que talvez sejam a causa do nosso problema. Você é teimoso demais. E eu sou mais teimosa ainda. Sou tão teimosa que minha teimosia irrita até a mim mesma. E dois teimosos sempre vão bater de frente. A diferença aqui, é que você tinha um certo dom de passar por cima da própria teimosia pra aturar a minha. E isso é a mesma coisa com o orgulho. Você é orgulhoso demais. E eu sou mais orgulhosa ainda. Sou tão orgulhosa que acabo perdendo muita coisa por não conseguir chegar lá e falar: ei, desculpa? A diferença aqui, é que você tinha um certo dom de passar por cima do próprio orgulho pra aturar o meu. Pra chegar aqui e falar: ei, desculpa?

Eu ando descobrindo muita coisa. Você fica mais inteligente e sem problemas longe de mim. E eu fico o triplo de tudo isso sem você. Mas ser inteligente e não ter problemas, é meio tediante. Você ficava lindo, mesmo dizendo que eu era igual a vários peixes. Ou me chamando pelo diminutivo, como SÓ você chamava. Nunca mais ninguém me chamou pelo diminutivo e eu passei a gostar de peixes por sua causa.

Uma das coisas que eu descobri, é que se dá pra viver sem. Você não é necessário. E eu sou muito menos necessária ainda pra você. Mas, por algum motivo, eu tenho uma porção de textos sobre a diferença de porcos e peixes. Ou sobre o norte e o sul. Ou sobre Bruno e marrone. Você não é necessário, eu também não sou, mas ainda assim é difícil demais me manter quieta sobre as coisas que eu falaria somente com você.

Queria que você descobrisse algumas coisas. Se hoje você estivesse aqui, eu te contaria que ela voltou. Aquela, que era importante pra mim e eu deixei ir… justamente por culpa daquilo que eu falei agora pouco… pelo orgulho atrapalhando e me impedindo de ir lá e falar: ei, desculpa?. Ao menos ela é como você e isso é nobre. Nobre e bom. Bom e é quase um dom. E isso me fez amar ela mais ainda. Mesmo eu sendo distante e mesmo eu ainda não ter dito que senti a falta dela e, bom, nem o lance de desculpas eu falei. Se hoje você estivesse aqui, eu te contaria sobre como eu odeio o fato de você ter tido quase sempre razão. Pense… QUASE. Porque, tudo o que você disse aquela vez sobre não ser verdade e por existir alguma razão pra tanta gente amar e que comigo era uma puta de uma mentira, era verdade. Eu também te contaria que não consigo ficar magoada muito tempo e que, mesmo eu sabendo que você teria mais ainda certeza da minha capacidade de adorar ser troxa, eu sempre vou aceitar. E eu até te contaria que existe um motivo pra isso. Contaria que eu cresci, que eu finalmente achei um jeito de cuidar pra não me apoiar em ninguém mais. Que eu, sério, eu não sofro mais… mesmo tendo noites em que é difícil. Contaria que eu sinto falta daquele som de macumba lá, que me assutava de verdade. E que eu, definitivamente, não posso ver o Taylor (Jacob) sem uma risadinha de canto.

E você, ando descobrindo muitas coisas? Não tá faltando ninguém pra xingar? Não tá faltando um pouco de sertanejo, nem de confusões, nem de nenhuma “irmã mais nova” que te faça dormir meio preocupado? Não tá faltando ninguém meio metido a escritor, nem a cantor, nem a sabe-tudo? Não tá faltando ninguém que fala demais, que fala palavrão demais, que erra demais, que é teimosa demais, orgulhosa demais, chata demais? Não tá não?

Descobri coisas que faltam. Falta alguém pra me xingar, pra ser o Marrone das minhas cantorias, pra me meter um monte de dúvidas na cabeça. Falta alguém pra me falar a verdade sem essa de mentir pra me proteger. Falta alguém que me chame pelo diminutivo, que me irrite em menos de um minuto, que saiba me encantar. Falta alguém que não queira me machucar, que tenha dons de aturar toda a loucura que eu posso ser. Falta alguém metido e burro. Falta alguém que seja um porco e um pai preto e um abestado. Falta alguém que se preste a escrever e escrever trilhões de coisas só com o objetivo de me deixar bem.

“Nunca esqueça a garota espontânea que você era.” Não, eu nunca vou esquecer. Prometo.

Eu sei que já faz tempo, mas eu ainda amo você.

Escrevi isso em meados de 2009.. ainda lembro do que sentia.

“Acho que se tornasse à vê-lo, custaria a lhe reconhecer.” (Caio F Abreu)

abril 16, 2011 Publicado por | Uncategorized | Deixe um comentário

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